quinta-feira, 14 de agosto de 2014

“Análise da música Another Brick In The Wall”

Análise da música Another Brick In The Wall






















Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
Pedagogia
Pólo Ubá
Michelle de Souza Teixeira Lemos
Tutor Marcelo de Mesquita Ferreira
Blog: Aprendendo a Ensinar - http://aprendendopraensinar.blogspot.com.br/

Another Brick In The Wall
Educação é um tema muito importante e que, atualmente, vem sendo discutido amplamente por várias áreas do conhecimento. 
Dentro de um cenário de crescente preocupação com a educação o papel da escola passa a ser mais significativo indo além dos ensinamentos de que os alunos necessitam para viver e trabalhar e assumindo a função de formar cidadãos e orientá-los para a vida.
Numa escola participativa o papel do professor é fundamental. O educador deve assegurar ao educando uma formação crítica, capaz de levá-lo a refletir sobre temáticas cotidianas e interferir positivamente em seu meio e, sobretudo, em sua vida para transformá-la.
A escola pode assumir posições que envolvem o conservadorismo (onde se torna guardiã da cultura social existente) e o liberalismo (buscando transformação e emancipação).
Durante muito tempo a organização curricular das escolas foi concebida como uma ação voltada para modelar as consciências dos alunos, essa educação chamada reprodutora oferece apenas a cultura de sua própria classe, desqualificando a cultura das demais classes. Além disso, por ser reprodutora tal escola não respeita a individualidade do aluno, apresenta um currículo único para todos. A educação reprodutora servia para reproduzir na escola a distribuição injusta de bens e serviços na sociedade.
Diferentemente da educação reprodutora, na educação transformadora procura-se transmitir aos alunos conhecimentos que lhes permitam conhecer, criticar e transformar a realidade em que vivem. A educação crítica parte da profunda insatisfação gerada por uma sociedade injusta e da vontade de transformá-la.
Não há educação libertadora se não pensamos que há algo de que se libertar, não há educação transformadora se não se sente um desejo e uma possibilidade de mudança social. Não é necessário estar de acordo no mesmo modelo ideal, nem sequer ter uma alternativa global já desenhada, mas partilhar uma orientação utópica para superar as limitações do presente e crer que a educação não pode nem deve fugir às suas responsabilidades.
A música Another Brick in the wall, composta por Roger Walters, lançada nos anos 80 pelo grupo inglês Pink Floyd se tornou polêmica justamente por criticar uma educação reprodutora, que não visa transformar o aluno em um cidadão pensante e questionador, mas sim em apenas mais um na sociedade, mais um tijolo no muro. Surge para criticar fortemente a educação modeladora mostrando o poder de imposição das autoridades e a facilidade com que a sociedade é manipulada pelas mesmas.
O videoclipe, resumidamente, trata de uma situação na qual um professor repreende e ridiculariza um aluno, na sala de aula, ao perceber que ele escreve poemas, mostrando a forte intolerância sobre as diferenças. O menino não reage à atitude do professor, mas se imagina destruindo a escola junto com seus colegas. Porém, a escola imaginada não é como a sua escola de fato e sim uma espécie de galpão, dividido em seções como uma fábrica de montagem, onde, anteriormente, os alunos aparecem em fila, usando máscaras sem face, como se fossem peças produzidas numa fábrica, marchando em direção a imensos moedores de carne.
Apesar de fortes, as imagens do videoclipe nos fazem pensar na educação que queremos. Ver que o professor pode tornar-se um pesadelo para os alunos nos faz pensar o quanto um bom profissional da educação pode transformar a vida de um aluno e o quanto é importante buscar ver as coisas de modo diferente, não aceitar padrões; repensá-los. Tentar perceber no mundo os padrões existentes e quais precisam ser quebrados para que as mudanças gerem ganhos sociais ou mesmo pessoais. Como o protagonista do videoclipe, hoje as crianças e os jovens, muitas vezes são conduzidos por forças que não conhecem na sociedade e acabam se tornando “carne moída”, moldada para seguir padrões e obedecer a normas, muitas delas injustas. 
 Além da polêmica, Another Brick in the wall traz consigo a bandeira da mudança, da educação libertadora, capaz de mudar não só a escola, mas o mundo, pois se alguma mudança positiva de padrões sociais for possível ela certamente se iniciará através da educação crítica de qualidade.




Referências

· Letra da música Another Brick In The Wall - Site “Vaga Lume”
Acesso em 31/07/2014
· Videoclipe da música Another Brick In The Wall
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kAGkuPaatdc
Acesso em 31/07/2014
· Educação Transformadora
Disponível em: http://www.teresianasstj.com/index.php/metodologias/comuni-que-aprendem/107-educacao-transformadora
Acesso em 06/08/2014
· O Papel da escola e do professor na construção do saber crítico
Disponível em: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-papel-da-escola-e-do-professor-na-construcao-do-saber-critico-do-aluno-1361189.html
Acesso em 06/08/2014





4 comentários:

  1. Olá, Michelle Souza. Tudo bem? Estava procurando sobre comentários, análises ou artigos que tratassem sobre o tema Educação, e tive a ideia de usar a música Another Brick In The Wall para um seminário no IFCE. Pois bem, seu texto é excelente e me ajudou bastante na elucidação da letra. Na verdade, me fez reiterar o que já pensava. Ultimamente esta canção tem sido vítima de uma deturpação dos defensores da ridícula "escola sem partido", e hoje pretendo usar essa mesma música para reafirmar nosso pensamento de que a Escola deve ser um espaço de emancipação do aluno, onde ele possa se desenvolver de forma livre, cada vez mais atingindo as potencialidades individuais. Abraço!

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  2. A letra da música traz uma breve referência a uma obra literária do francês Etiene de Laboety discurso da servidão voluntária que fala da opressão do tirano sobre o oprimido no caso do professor do clip que ao reprimir o aluno que gosta de poesia, que grita com ele, ao chegar em casa também é humilhado por sua mulher. Quem humilha também é humilhado, quem controla é controlado e se vinga controlando mais ainda.

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  3. Estou redigindo um texto sobre os resquícios da ditadura militar do brasil atualmente e percebi que posso usar em meu repertório essa música. Porém, estava procurando melhor para usar "palavras mais bonitas" kkkkkkk. Bela reflexão!

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