segunda-feira, 5 de maio de 2014

Brasil





“A Educação e o Processo de mudança social”













Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
Pedagogia
Pólo Ubá
Michelle de Souza Teixeira Lemos
Tutor Marcelo de Mesquita Ferreira






A Educação e o Processo de mudança social

O elemento sociedade está presente em vários dos escritos freireanos como um espaço fortemente condicionante da ação humana, mas nunca determinante, por si só, do destino humano. Na visão freireana de sociedade, esta constitui um espaço contraditório de relações sociais historicamente tecidas. A Sociedade tende a oprimir os menos favorecidos. Cabe aos oprimidos se libertarem de sua condição através da conscientização.
O método de Freire destina-se a promover uma alfabetização libertadora. Esse processo concretiza-se a partir do momento que o educando percebe que não existe conhecimento e nem ignorância absoluta e que ele, assim como os seus educadores, deve participar da construção cultural da sociedade. Dessa forma, o sentimento de estar à margem da sociedade em que vive deixa de existir e dá lugar a uma consciência de ser social.
Para Freire não há nem saber e nem ignorância absoluta: há somente uma relativação do saber ou da ignorância. Por isso o professor não pode se colocar na posição de um ser superior que ensina um grupo de ignorantes, mas sim na posição humilde daquele que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo. A relação entre educador e educando constrói-se de maneira horizontal, sem imposições e hierarquias, pois ambos são sujeitos no ato educativo. Freire afirma que para haver uma libertação é necessário primeiro haver uma mudança radical na mentalidade dos oprimidos. Em sua concepção a libertação da opressão não deve ocorrer para os oprimidos, mas sim através destes por meio de um processo de conscientização.
As relações da educação como processo de conscientização com a educação como conquista da liberdade constituem marcas constantes do discurso político-pedagógico de Paulo Freire desde os seus primeiros escritos. No desenvolvimento crítico da consciência, a educação tem papel central. O momento histórico (décadas de 1950 e 1960) exigia segundo Freire, uma ampla conscientização das massas brasileiras através da educação. Neste momento brasileiro, Freire propõe que alfabetização invista na passagem da consciência ingênua à consciência crítica. Freire defende o diálogo como veículo pedagógico principal da educação conscientizadora que busca a liberdade como alternativa de construção da pessoa. Para ele, a educação é um ato de amor, por isso, de coragem. É a partir da articulação entre  prática e pensamento que o processo de se conscientizar caracteriza o homem como possuidor da capacidade de atuar e transformar a realidade social.
Para Freire a mudança é resultado do trabalho que o homem exerce sobre o mundo e os trabalhadores devem ser sujeitos e não objetos desta transformação. Por isso o trabalhador social não pode ser neutro frente ao mundo, quem opta pela mudança não vê nela uma ameaça. A mudança não é trabalho exclusivo de alguns homens, mas dos que a escolhem. O objetivo da mudança é a superação de uma totalidade por outra, onde a nova não continue apresentando a contradição que constitui a duração da estrutura social.
No que se refere ao compromisso Freire via o verdadeiro compromisso como solidariedade, não a solidariedade com os que negam o compromisso, mas com aqueles, que na situação concreta, se encontram convertidos em coisas. O verdadeiro compromisso, que é sempre solidário, não pode reduzir-se a gestos de falsa generosidade e nem ser um ato unilateral. No caso do profissional é necessário juntar o compromisso genérico concreto que lhe é próprio como homem e seu compromisso de profissional.