“A Educação e o Processo de mudança social”
Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
Pedagogia
Pólo Ubá
Michelle de Souza Teixeira Lemos
Tutor Marcelo de Mesquita Ferreira
A
Educação e o Processo de mudança social
O elemento sociedade está
presente em vários dos escritos freireanos como um espaço fortemente
condicionante da ação humana, mas nunca determinante, por si só, do destino
humano. Na visão freireana de sociedade, esta constitui um espaço contraditório
de relações sociais historicamente tecidas. A Sociedade tende a oprimir os
menos favorecidos. Cabe aos oprimidos se libertarem
de sua condição através da conscientização.
O método de Freire
destina-se a promover uma alfabetização libertadora. Esse processo
concretiza-se a partir do momento que o educando percebe que não existe
conhecimento e nem ignorância absoluta e que ele, assim como os seus
educadores, deve participar da construção cultural da sociedade. Dessa forma, o
sentimento de estar à margem da sociedade em que vive deixa de existir e dá
lugar a uma consciência de ser social.
Para Freire não há nem saber
e nem ignorância absoluta: há somente uma relativação do saber ou da
ignorância. Por isso o professor não pode se colocar na posição de um ser
superior que ensina um grupo de ignorantes, mas sim na posição humilde daquele
que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo. A
relação entre educador e educando constrói-se de maneira horizontal, sem
imposições e hierarquias, pois ambos são sujeitos no ato educativo. Freire
afirma que para haver uma libertação é necessário primeiro haver uma mudança
radical na mentalidade dos oprimidos. Em sua concepção a libertação da opressão
não deve ocorrer para os oprimidos, mas sim através destes por meio de um
processo de conscientização.
As relações da educação como processo de conscientização com
a educação como conquista da liberdade
constituem marcas constantes do discurso político-pedagógico de Paulo
Freire desde os seus primeiros escritos. No desenvolvimento crítico da consciência, a educação tem papel
central. O momento histórico (décadas de 1950 e 1960) exigia segundo Freire,
uma ampla conscientização das massas brasileiras através da educação. Neste
momento brasileiro, Freire propõe que alfabetização invista na passagem da
consciência ingênua à consciência crítica. Freire defende o diálogo como veículo pedagógico principal
da educação conscientizadora que busca a liberdade como alternativa de
construção da pessoa. Para ele, a educação é um ato de amor, por isso, de coragem.
É a partir da articulação entre prática
e pensamento que o processo de se conscientizar caracteriza o homem como
possuidor da capacidade de atuar e transformar a realidade social.
Para Freire a mudança é resultado do trabalho que o homem
exerce sobre o mundo e os trabalhadores devem ser sujeitos e não objetos desta
transformação. Por isso o trabalhador social não pode ser neutro frente ao
mundo, quem opta pela mudança não vê nela uma ameaça. A mudança não é trabalho
exclusivo de alguns homens, mas dos que a escolhem. O objetivo da mudança é a
superação de uma totalidade por outra, onde a nova não continue apresentando a
contradição que constitui a duração da estrutura social.
No que se refere ao compromisso Freire
via o verdadeiro compromisso como solidariedade, não a solidariedade com os que
negam o compromisso, mas com aqueles, que na situação concreta, se encontram
convertidos em coisas. O verdadeiro compromisso, que é sempre solidário, não
pode reduzir-se a gestos de falsa generosidade e nem ser um ato unilateral. No
caso do profissional é necessário juntar o compromisso genérico concreto que
lhe é próprio como homem e seu compromisso de profissional.